Mercado Financeiro em 2026: Transformação Tecnológica, Evolução Regulatória e a Nova Era do Risco de Mercado

Depois de um 2025 de transição, o mercado global entra em 2026 com um pano de fundo mais previsível, ainda que exigente. As projeções apontam para crescimento moderado e inflação mais estável, com políticas monetárias gradualmente menos restritivas nas principais economias. Esse ambiente tende a sustentar ativos de risco, mas cobra disciplina na gestão e foco em fundamentos. No Brasil, as expectativas do Focus sugerem IPCA perto de 4,0% em 2026, Selic em torno de 12,25% no fim do ano, PIB por volta de 1,8% e câmbio projetado próximo de 5,50 reais. O recado implícito é simples: seletividade na alocação, eficiência operacional e leitura fina de risco fazem a diferença quando o mercado caminha com mais estabilidade, mas ainda sem folga. 

Ao mesmo tempo, tecnologia e finanças se tornaram indissociáveis. A inteligência artificial deixou de ser demonstração e passou a rodar em produção, suportando análises de crédito, prevenção a fraudes, atendimento e automação de rotinas complexas. Grandes casas globais convergem para a mesma mensagem: a IA será um dos principais motores de produtividade e vantagem competitiva, pressionando a infraestrutura digital e exigindo governança de dados em nível empresarial. Essa combinação de avanço tecnológico e disciplina de risco tende a definir vencedores em 2026. 

Pagamentos são um bom termômetro dessa transformação. No Brasil, a liquidação em tempo real já faz parte do cotidiano, com o Pix avançando em adoção e funcionalidades. Globalmente, a instantaneidade se consolida como padrão operacional, redesenhando conciliação, gestão de liquidez e experiência do usuário. O resultado é um consumidor que espera velocidade e previsibilidade em qualquer canal, e instituições que precisam de plataformas conectadas a sistemas críticos, com monitoramento e segurança de ponta a ponta. 

A sofisticação tecnológica amplia o alcance dos dados e, com isso, o potencial de personalização. Mas o ganho não vem do volume em si. Vem da capacidade de transformar informação em decisões confiáveis, com dados governados, rastreáveis e prontos para auditoria. Em 2026, esse é o diferencial por trás de modelos mais precisos de risco, ofertas contextualizadas e detecções de fraude em tempo quase real. À medida que IA e analytics ocupam o centro das operações, cresce a necessidade de arquiteturas modulares e componíveis, que integrem sistemas legados e novos serviços, sem sacrificar resiliência e conformidade. 

Esse movimento tecnológico encontra um espelho na evolução regulatória. O Banco Central vem sincronizando o calendário local com as principais jurisdições e conduzindo uma agenda que traz liquidez simplificada, regras para ativos virtuais e a etapa de CVA. No coração desse processo está a Fase 3 do FRTB, que substitui um modelo predominantemente linear por um método de capital sensível ao risco econômico das posições. A abordagem por sensibilidades considera delta, vega e curvatura e aplica correlações mais realistas, aproximando o cálculo regulatório da forma como as instituições já medem risco internamente. O objetivo é elevar a precisão da medida e a comparabilidade entre instituições, em vez de aumentar capital de forma indiscriminada. 

Os efeitos práticos dessa mudança aparecem onde, por anos, as fórmulas antigas foram pouco responsivas ao que acontece na mesa de operações. Estruturas vendidas em opções que pareciam “neutras” quando se olhava apenas o delta passam a mostrar sua exposição real à volatilidade. Carteiras de moedas e ouro deixam de ser combinadas por conveniência matemática e voltam a ser tratadas conforme seu comportamento econômico. Combinações entre títulos indexados à inflação e derivativos de juros ganham granularidade por vértice, capturando a relação entre curvas e refletindo sinais opostos quando é o caso. Em todas essas situações, a mensagem é a mesma. Não se trata de cobrar mais ou menos capital por princípio, e sim de alinhá‑lo ao risco que de fato existe nas carteiras. 

Essa virada em risco de mercado pede preparação. Os dados precisam estar prontos para sensibilidades, com governança e trilhas de auditoria que suportem processos de validação e supervisão. Modelos internos e cálculos regulatórios ganham quando falam a mesma língua, porque agendas de orçamento de risco, testes de estresse e transferência interna de risco ficam coerentes entre si. A integração entre tesouraria, risco e contabilidade passa a ser ainda mais relevante, já que bons hedges são reconhecidos e compensações artificiais tendem a perder espaço. Do ponto de vista tecnológico, performance e escalabilidade deixam de ser conforto e viram requisito para calcular carteiras maiores, múltiplos vértices e cenários com regularidade. Por fim, o desenho de rota deve considerar proporcionalidade. Para parte das instituições, a abordagem simplificada pode funcionar como ponte até a adoção plena do método de sensibilidades. 

Tudo isso acontece em um mercado que premia execução. As equipes com visão multidisciplinar, que combinam domínio financeiro, fluência em dados e entendimento de IA, têm mais condições de transformar requisitos regulatórios em rotinas escaláveis e úteis para o negócio. A tendência que a imprensa especializada já mapeava para 2026, de profissionais mais híbridos e estratégicos, é coerente com o que a regulação e a tecnologia estão pedindo das instituições. 

O resultado é um 2026 em que a precisão volta a ser protagonista. A economia oferece um horizonte menos turbulento, mas o desempenho das instituições dependerá de quanto elas conseguem extrair de dados e IA, e de como alinham a medição de risco ao comportamento econômico das carteiras. A evolução regulatória não é um obstáculo, é o marco que organiza essa convergência. Quando tecnologia e regra puxam para o mesmo lado, o mercado se torna mais comparável, mais previsível e, principalmente, mais fiel ao risco que realmente existe. 

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